20.3.08

De que tem medo Henrique Fernandes?


Na edição de hoje, quarta-feira, 19 de Março, do Diário de Coimbra, vem publicada uma entrevista com o Dr. Henrique Fernandes, actual Governador Civil, candidato à concelhia do PS, há alguns dias, candidato à Câmara Municipal de Coimbra, a partir da presente data.
Diz o Dr. Henrique Fernandes que não percebeu a interrupção entre as duas candidaturas ao PS local para a criação de uma lista única.
Eu digo que não entendo a alusão a “qualquer negociata”.
Mas passo a explicar o que sei.
O Dr. Carlos Cidade lançou as bases da sua candidatura à concelhia há já alguns meses.
Teve o cuidado de, previamente, falar com alguns ilustres militantes, sobre a sua intenção, procurando auscultar opiniões, sensibilidades e apoios. Na ocasião falou, também, com o Dr. Henrique Fernandes, que lhe terá dito que, por ele, o caminho estava livre, porque não tencionava candidatar-se à concelhia, órgão que já tinha dirigido e que não tinha disponibilidade para correr as secções de base.
Compreende-se bem que quem já foi vereador e vice-Presidente da Câmara Municipal de Coimbra do Dr. Manuel Machado e é hoje Governador Civil de Coimbra, aspirasse a mais altos voos, aliás, como foi hoje anunciado.
Admitindo que alguns dos contactados não tenham declarado um apoio inequívoco ao Dr. Carlos Cidade, também é certo que nenhum o aconselhou a prescindir das intenções de se candidatar à concelhia do PS de Coimbra.
Neste contexto, Carlos Cidade apresentou a candidatura num jantar que se pretendia que fosse uma reunião de trabalho e passou a ser o primeiro momento da campanha, tal foi a adesão espontânea de militantes, que fizeram questão de estar presentes.
Este arranque da campanha, esta adesão, mexeu, desde logo, com o Partido e, ao que se diz, tanto a nível local, como a nível Nacional.
Meu caro Carlos Cidade, tiveste o condão de despertar muitas mentes adormecidas, podes, perfeitamente, considerar que, a partir desse momento, começaste a alcançar os objectivos a que te propuseste. Parabéns.
Quinze dias depois aparece a candidatura do Dr. Henrique Fernandes e com ela alguns contactos e notícias apelando à unidade, em nome dos elevados interesses do Partido Socialista, tanto a nível local, como nacional.
Eu, pessoalmente, um humilde militante, recebi muitos telefonemas, fui procurado por diversos militantes, dirigentes e, também, pelo novo candidato, Dr. Henrique Fernandes, para colaborar na promoção de uma lista de consenso, de unidade, que fortalecesse o Partido, que criasse bases para uma candidatura forte e credível à Câmara Municipal de Coimbra.
Desenvolvi esforços no âmbito da candidatura do Dr. Carlos Cidade para alcançar esse consenso, porque percebi desde logo que o Dr. Henrique Fernandes estava metido numa embrulhada difícil de resolver, porque, ao perder a concelhia, não terá grandes condições para continuar a ser Governador Civil, não terá qualquer condição de ser candidato à Câmara e porque corre-se sempre o risco de dividir, ainda mais, o Partido, em Coimbra.
Mas quem dividiu? Evidentemente, o Dr. Henrique Fernandes, que apareceu à posteriori. Porque apareceu? Para impedir a candidatura de uma terceira pessoa. Que pretende? Ser candidato à Câmara Municipal, sabe-se agora. Veio pelo pior caminho. A “vontade de unir” que anunciou no seu primeiro discurso, estava, evidentemente, fora de contexto a partir da apresentação de uma segunda candidatura.
Apesar disso, os camaradas que acompanham Carlos Cidade e ele próprio fizeram um esforço de conjugação de esforços, de aproximação, para poder conciliar dois projectos, obviamente, diferentes, para alcançar a unidade e a força necessárias para vencer as difíceis batalhas políticas que se aproximam.
O Dr. Carlos Cidade deu os primeiros passos, contactou o Dr. Henrique Fernandes e prescindiu de ser cabeça de lista, de entre outras acções importantes para o consenso.
Mas consenso, conciliação, união, nunca se alcançam anulando uma das partes. Nunca se alcançam iludindo o parceiro.
Por um lado, a candidatura do Dr. Henrique Fernandes, com as negociações em curso marcou acções de campanha para o mesmo local e hora que a candidatura de Carlos Cidade já haviam marcado, disseram em algumas das acções o que não tinham autorização para dizer e falaram em nome de quem não lhes atribuiu mandato, apresentaram uma proposta, que podia, no limite, impedir uma representação equilibrada da lista do Carlos Cidade no Secretariado da concelhia e pretendiam uma lista candidata dividida em três partes, quando o que estava em causa eram duas candidaturas. A quem pertence a terceira?
Onde está a dúvida sobre a interrupção das negociações?
Porque pediu a junção das duas candidaturas?
De que tem medo, Dr. Henrique Fernandes?
Duas candidaturas só podem fortalecer o Partido Socialista.
E, já agora, penso que o Dr. Carlos Cidade se sentirá lisonjeado com o convite para ser candidato a Presidente da Câmara, porém, cada coisa a seu tempo. Só são as eleições para a concelhia de Coimbra do Partido Socialista.

Horácio Santiago
(Elemento da Comissão de Candidatura)
PS: Este artigo foi publicado hoje no Diário de Coimbra